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DATA DA PUBLICAÇÃO 22/06/2016 | Setecidades
ABCD possui 100 quilômetros de rios subterrâneos sem manutenção
ABCD possui 100 quilômetros de rios subterrâneos sem manutenção Por baixo de vias importantes do ABCD, como a avenida Faria Lima, em São Bernardo, correm rios e córregos. Foto: Rodrigo Pinto
Por baixo de vias importantes do ABCD, como a avenida Faria Lima, em São Bernardo, correm rios e córregos. Foto: Rodrigo Pinto
Prática antiga é o principal motivo para enchentes e problemas no viário, aponta especialista

Por baixo de avenidas, ruas e vielas das sete cidades do ABCD existem diversos rios e córregos praticamente esquecidos pelo poder público. Os aquíferos subterrâneos foram canalizados há mais de 20 anos pelas Prefeituras e especialistas em infraestrutura urbana afirmam que essa pratica é o motivo de diversos problemas atuais enfrentados pelas cidades.

Somados Santo André, São Bernardo e Diadema, são mais de 50 leitos que correm por baixo de vias públicas, que em linha reta gerariam, aproximadamente, 100 quilômetros (99,6). A contagem foi prejudicada pois São Caetano, Mauá e Ribeirão Pires não possuem tais informações.

Esses leitos estão entubados e sobre eles foram construídas vias importantes e conhecidas na Região. São avenidas como João Ramalho, Utinga e Cassaquera em Santo André; rua Tiradentes, avenidas Brigadeiro Faria Lima e Kennedy, rua Tiradentes, em São Bernardo; avenida Kennedy, em São Caetano, entre outros logradouros. Alguns desses mais de 50 rios e córregos foram canalizados na década e 1970. O principal problema desse tipo de técnica de engenharia é a dificuldade de manutenção e limpeza dos leitos.

Com o acumulo de lixo e entulho que chegam pelas tubulações de esgoto, esses leitos acabam perdendo espaço. Em períodos de chuvas prolongadas, por exemplo, o volume de água transborda e acaba vazando para bocas de bueiro e outras saídas. As enchentes, nesse caso, são inevitáveis.

“A canalização de córregos e rios é uma postura antiga de alguns urbanistas. Nessa visão, eles queriam que os rios poluídos ficassem longe dos narizes e olhos da população”, explicou o professor de infraestrutura urbana da UFABC (Universidade Federal do ABC), Gilson Lameira de Lima.

O especialista ainda ressalta que atualmente é inviável reverter a situação dos rios subterrâneos. “Demandaria muito investimento. Além disso, a grande maioria desses rios e córregos foi entubada e por cima passa avenidas importantes e muito movimentadas”, explicou. Lima critica também a completa canalização dos aquíferos impede a manutenção dos leitos. “Também é caro acessar esses rios para fazer a limpeza correta das galerias. É um tipo de estrutura que causa problemas furtivos, como enchentes e alagamentos”, ressaltou.

Para o professor, o grande problema que levou as administrações públicas a canalizar totalmente parte dos leitos é a poluição. “Por que demos as costas para os rios? Por conta da poluição. Mas agora o processo de limpeza e remoção de poluentes é muito mais complexo”, avaliou o especialista.

AÇÕES PÚBLICAS

Em São Bernardo, diversas intervenções já acontecem na drenagem. A Prefeitura salientou que na década de 1970 muitos córregos foram canalizados em galerias subterrâneas “para que se pudessem construir avenidas sobre os mesmos, inclusive em São Bernardo do Campo”. O poder municipal também informou que “vem executando nos últimos anos, obras de infraestrutura e drenagem em áreas centrais e já consolidadas da cidade, assim como a urbanização de regiões degradadas, onde foram construídos vários conjuntos habitacionais, com vias de acesso, iluminação pública e canalização de córregos – abertos, ao invés de fechados em galerias".

Apesar de não informar os endereços e extensão dos rios canalizados, o DAE (Departamento de Água e Esgoto) de São Caetano explicou que estão canalizados trechos dos córregos dos Moinhos, Guaiamu e Avenida Antônio Fonseca Martins. Em nota, a autarquia garantiu ainda que “formulou o Plano Diretor de Drenagem Urbana da cidade. Neste documento, que tem validade aos próximos 20 anos, estão diagnósticos de pontos críticos, projeções de cenários e medidas estruturais e não-estruturais a serem adotadas, mecanismos capazes de melhorar a drenagem urbana e favorecer o correto desenvolvimento urbano de São Caetano”.

Sobre o tratamento de esgoto, o Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André) informou que atualmente “encaminha 45% do esgoto coletado para tratamento. Ou seja, efetivamente 45% do esgoto da cidade não vai para os cursos d'água. Em Santo André, os córregos Guaixaya e Utinga são os mais limpos. Cabe lembrar que os rios e córregos metropolitanos não voltam ao seu estado natural e o trabalho de despoluição é bastante longo. No Guaixaya, por exemplo, as intervenções neste sentido tiveram início em 1994 e, apenas no ano passado, começaram a aparecer os resultados, conforme divulgado pelo Semasa em setembro de 2015”.

As obras do Guaixaya (av. das Nações, Parque Novo Oratório), em seu trecho aberto, mas que consistiram também na eliminação das ligações de esgoto clandestino, contribuindo para a qualidade da água do córrego;

Canalização de 400 m do córrego Guarará (avenida Capitão Mário Toledo de Camargo e a estrada da Cata Preta, a Vila Luzita), no trecho após o Extra;

O programa de despoluição e otimização do sistema de esgotamento sanitário do córrego Comprido (2º Subdistrito), cujos serviços envolveram inspeções em ligações de esgoto, identificação de lançamentos irregulares de esgoto em galerias de águas pluviais e também no córrego, limpeza por jato de alta pressão nas redes e também a medição da qualidade da água do curso d’água, antes e depois dos trabalhos.

Por Renan Fonseca - ABCD Maior
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