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DATA DA PUBLICAÇÃO 29/12/2008 | Cidade
Abandono persiste no Hospital Nardini
O Diário teve acesso com exclusividade ao interior do Hospital Doutor Radamés Nardini, em Mauá, e pôde constatar que ainda persiste a precariedade nas instalações apontada por Cremesp (Conselho Regional de Medicina) e Coren (Conselho Regional de Enfermagem), em relatório entregue ao Ministério Público em 2007. Graves problemas estruturais, falta de material médico-hospitalar e remédios, além da ausência de profissionais tornam crítica a situação. O local é um claro retrato de descaso administrativo.

O setor de clínica médica, no 6º andar, é para onde são encaminhados os pacientes que necessitam de internação, após passarem pela emergência. Improviso característico de acampamentos de guerra e descaso com a infra-estrutura são emblemáticos dos problemas que atingem o hospital. Mofo nas paredes, infiltração, janelas quebradas e cobertas com madeirite e ferrugem tomam conta dos aposentos.

Nos banheiros, um pouco de tudo aquilo que é verificado nos quartos, acrescido de graves problemas hidráulicos em vasos sanitários e torneiras. Na ausência de maçanetas, faixas de atadura são utilizadas no lugar. Elas também são usadas como suporte para papel higiênico.

O posto de enfermagem tem infiltração no teto, mofo nas proximidades das janelas e condições insalubres de trabalho. Agulhas e demais materiais infecto-contagiosos são depositados em caixa adaptada, sem cobertura alguma. Em outros pontos do hospital, galões de detergente vazios têm essa função.

Na ausência de sabonete líquido no posto de enfermagem, os profissionais são obrigados a carregar pedaços de sabão dentro de potes utilizados para a coleta de material. É a forma de manter a higiene pessoal, sem precisar dividir o mesmo pedaço com outros.

O único desfibrilador do andar está inoperante. Em caso de emergência, responsáveis pelo atendimento precisam recorrer a outras alas que tenham equipamento em condições de uso.

Falta até fralda para dar tratamento digno a pacientes adultos que passam pelo Nardini. No improviso, os profissionais da emergência são obrigados a adaptar sacos plásticos, recheados por pedaços de pano, para evitar o vazamento de urina e fezes de quem permanece no leito, sem condições de utilizar o banheiro.

Não há luvas no setor de clínica médica. Os médicos e enfermeiros têm de utilizar aquelas que trazem de fora do serviço, por conta própria. Mesmo assim, usam uma única para atender a vários pacientes, antes de descartá-la.

Parte do 6º andar está interditado há um ano e meio, por falta de condições de uso. A verba para a reforma dos quartos teria sido disponibilizada pelo governo federal, mas nada no local lembra uma obra. Baratas mortas no interior do banheiro da ala, que fica a poucos metros da UTI (Unidade de Terapia Intensiva), dão mostras do abandono.

No último fim de semana não havia profissionais para atender exclusivamente a clínica médica. Para não ter que se desdobrar entre o pavimento inferior e o 6º andar, o responsável manteve 16 pacientes no setor de emergência, nas suas proximidades. Para o alto, foram apenas aqueles que não inspirariam cuidados excessivos.

A chefia de enfermagem também esteve ausente do hospital nos últimos dez dias, segundo relatos de profissionais que trabalham no local.

Ministério Público cobra solução de problemas desde 2007

Uma liminar concedida pela Justiça em 2007 cobrou atuação imediata da Prefeitura de Mauá na resolução dos problemas estruturais e de pessoal existentes no Hospital Doutor Radamés Nardini. Nem a ação judicial foi suficiente para que as condições precárias existentes na unidade de Saúde fossem sanadas. O problema tem gerado multa diária de R$ 10 mil à administração municipal desde fevereiro deste ano.

Com base em relatórios do Cremesp (Conselho Regional de Medicina) e do Coren (Conselho Regional de Enfermagem), a promotora Adriana Ribeiro Soares de Moraes, que atualmente ocupa a assessoria da Procuradoria-Geral do Estado, deu início à ação civil pública em maio de 2007.

A juíza da 2ª Vara Cível na época, Letícia Fraga Benitez, concedeu liminar, antecipando a tutela, por entender que havia provas suficientes das péssimas condições de funcionamento, antes mesmo do encerramento do processo. Foram dados quatro meses para a solução dos problemas, a partir de 3 de outubro de 2007. Sem a resolução, passou-se a contar a multa, que já passa dos R$ 3,2 milhões.

Responsável por conduzir o caso atualmente, o promotor Zenon Lotufo Tertius, do Ministério Público de Guarulhos, disse que solicitaria nova vistoria dos conselhos de Medicina e Enfermagem. Afirmou também que nunca tinha visto caso como o de Mauá, quando a administração pública se manteve inerte, mesmo após decisão judicial. Sinalizou inclusive com a responsabilização pessoal de autoridades por eventuais danos à população.

Cobrada a respeito da precariedade do hospital, a Secretaria de Saúde do município afirmou em novembro que já havia resolvido 80% dos problemas. A Promotoria aponta que a multa só cessará quando tudo o que foi anotado em relatório for sanado.

Em entrevista concedida no dia 26, o prefeito Leonel Damo listou obras e afirmou que, "na Saúde, fez mais do que imaginou que pudesse ser feito".

Por William Cardoso - Diário do Grande ABC / Foto: William Cardoso
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