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Hotéis de selva garantem noite de Tarzan
DATA DA PUBLICAÇÃO 26/03/2009 | Turismo
A antiga Manaus
Principal porta de entrada para as belezas da maior floresta tropical do mundo, a capital amazonense, Manaus, causa certo estranhamento ao estrangeiro que aterrissa na cidade à espera de encontrar índios e animais selvagens logo no primeiro contato em solo tupiniquim. Mas uma caminhada mais apurada pelas ruas centrais revela outros atrativos tão surpreendentes quanto uma onça no meio do mato.

As imagens apreendidas nos documentários de TV, por exemplo, dificilmente mostram o luxo dos prédios em estilo art-nouveau e casarões como o imponente Teatro Amazonas, símbolo da riqueza obtida com o Ciclo da Borracha no fim do século 19. O requinte evidencia-se desde o hall da entrada - com escadaria de mármore italiano - até a sala de espetáculos, decorada com lustres, máscaras venezianas e uma representação do encontro dos rios Negro e Solimões ao fundo.

Além dos espetáculos gratuitos e das visitas guiadas pelo interior do teatro, palco do famoso Festival de Ópera em maio -, os arredores também reservam gratas oportunidades de tomar um café ou tacacá sentado em um dos bancos na pracinha em frente, vivenciar momentos de nobreza em um passeio de carruagem ou simplesmente provar o lanche de pernil do rústico Bar do Armando na noite manauense.

Heranças da fase áurea da borracha também podem ser conferidas no Palácio Rio Negro, de 1903. Vez ou outra, o governador ainda despacha por lá, mas o que mais chama a atenção são os acervos do Museu de Numismática, com 17 mil cédulas e moedas do mundo inteiro, e as obras de arte da Pinacoteca.

Já o Palácio da Justiça, erguido no ano de 1900, em estilo renascentista, abriga um agitado centro cultural. Destaque para o cinema e para a mobília original das sala, que fazem qualquer um se sentir um advogado, juiz ou réu durante a visita guiada.

Museus, aliás, não faltam à capital amazonense. Tem o de Ciências Naturais da Amazônia, o do Índio e, Rio Negro adiante, o Seringal Vila Paraíso, que reconstitui o universo da borracha e as relações entre seringueiros e seringalistas no início do século 19.

Verde - Depois de tantos prédios carregados de história, pausa para um pedacinho de verde plantado no meio da cidade grande: é o Bosque da Ciência, onde macacos, antas e bichos-preguiça andam livres. Mantido pelo Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), abriga aquários enormes que mostram os simpáticos peixes-boi, um viveiro de ariranhas, colmeias, orquidário e bromeliário.

Por fim, confira a biodiversidade da Floresta Amazônica com visitas ao Parque Municipal do Mindu e ao zoológico do Cigs (Centro de Instrução de Guerra na Selva). Se a câmera ajudar, dá até para dizer que aquela onça do zoo foi fotografada durante uma noite na selva.

Vida cultural vai da ópera à disputa entre bumbas

Quem pensa que os sons da Amazônia se resumem ao bugio dos macacos ou ao canto dos pássaros terá uma surpresa se aportar em Manaus entre os dias 23 de abril e 31 de maio. Nesse período a cidade torna-se sede de um dos mais importantes eventos de música erudita do País: o Festival Amazonas de Ópera, que chega à 13ª edição com uma mistura de clássicos do quilate de Sansão e Dalila, El Cid, Diálogo das Carmelitas, Os Troianos e Joana D''Arc na Fogueira. A maior parte das apresentações é gratuita, tendo como palco os imponentes Teatro Amazonas e Palácio da Justiça.

Terminada a maratona de concertos, começam os preparativos para outro grande ícone do folclore amazonense: a disputa entre os bois-bumbás Caprichoso e Garantido no bumbódromo de Parintins. Neste ano, o festival será realizado entre os dias 26 e 28 de junho, sempre impulsionado pela eterna briga entre o vermelho e o azul.

Mas nem só de óperas e bumbás vive a cultura amazônica. Na capital, o agito não para dia e noite nos barzinhos da Praia da Ponta Negra. O mais animado é o Laranjinha, que serve uma porção de pastel recheado de pato no tucupi perfeita para acompanhar a cervejinha. Pertinho dali, a Avenida do Turismo concentra casas para quem gosta de dançar, seja ao ritmo do forró, do bolero ou do velho rock''n''roll.

Por Heloísa Cestari - Diário do Grande ABC
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