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DATA DA PUBLICAÇÃO 03/08/2017 | Educação
52% das instituições de educação básica usam celular em atividades escolares, aponta estudo da Cetic
De 2015 para 2016, número de professores que usam a internet do celular em atividades com os alunos cresceu em 10%.

O celular, antes tão mal visto no ambiente escolar, vai ocupando cada vez mais espaço na sala de aula: em 2016, 52% das escolas utilizavam o aparelho em atividades com os alunos. É o que aponta a pesquisa TIC Educação 2016, do Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (Cetic), divulgado nesta quinta-feira (3).

O estudo mostra dados sobre utilização da internet e de celulares em sala de aula, em escolas públicas e particulares em áreas urbanas de todo o país. Foram coletados dados de 1.106 escolas, em turmas de 5º e 9º ano do ensino fundamental e do 2º ano do ensino médio. Participaram das entrevistas 935 diretores, 922 coordenadores pedagógicos, 1.854 professores de diversas disciplinas e 11.069 estudantes. A pesquisa aconteceu entre agosto e dezembro de 2016.

A popularização dos aparelhos pode ter relação com essa nova realidade. Dos estudantes que têm acesso à internet, 77% usam a rede por meio do celular. O segundo aparelho mais utilizado, o computador de mesa, tem apenas 9% de participação nesta estatística. O acesso dos professores à tecnologia aumentou ao longo dos anos: em 2011, apenas 15% deles possuíam um smartphone. Em 2016, o número atingiu os 91%.

Os maiores usuários de smartphones, entre os alunos que usam a internet, são os adolescentes: do total de estudantes do 9º ano do ensino fundamental, 33% dizem usar os aparelhos na escola, contra 49% dos alunos do 2° ano do ensino médio. Entre as crianças, a utilização é menor: apenas 7% dos estudantes do 5º ano do ensino fundamental usam a tecnologia na escola.

Estes números quase se invertem quando se trata do uso do smartphone por parte dos professores em atividades escolares. Em 2016, 61% dos professores declararam que utilizam a tecnologia para lecionar nas turmas de 5º ano, contra 42% e 41% dos docentes de 8º e 2º ano, respectivamente. A utilização é maior nas escolas particulares que nas públicas: são 61% de usuários contra 46%.

Em 2015, 87% das escolas declararam ter acesso à rede sem fio. O número aumentou para 92% no ano seguinte. No entanto, nos dois períodos, apenas 10% delas declararam ter uso livre para todos. No último ano, 21% das instituições informaram que o uso é restrito, com senha disponível para os alunos, enquanto 61% não liberam o acesso para os estudantes.

Acesso

As escolas públicas e particulares apresentam números altos de máquinas disponíveis em sala de aula: 98% e 96% têm computadores de mesa, enquanto 86% e 92% também contam com computadores portáteis, respectivamente. A internet está disponível na maioria das escolas urbanas: 98% das instituições particulares e 95% das públicas declararam possuir o serviço.

Os tradicionais laboratórios de informática são bastante utilizados em escolas particulares, embora estejam em desuso. Do total de instituições que responderam à pesquisa, 47% tem as salas de aula para a atividade, e 46% as utilizam. Na rede pública, o número de laboratórios não aproveitados é bem maior: 81% das escolas possuem o ambiente, mas apenas 59% o usam.

"Embora os laboratórios estejam bastante presentes nas escolas públicas, o uso é baixo. Nas particulares, esse espaço se desloca para a sala de aula, biblioteca... isso mostra um avanço das particulares nesse aspecto", comentou, em coletiva de imprensa, o gerente do Cetic, Alexandre Barbosa.

"Esse diferença entre o uso do laboratório em públicas e em privadas traz indícios de novas práticas pedagógicas, mas também de uma apropriação da cultura digital nas salas de aula. Estamos saindo de uma educação expositiva para uma educação compartilhada." Leila Iannone, coordenadora da pesquisa

Avaliação


A pesquisa do Cetic buscou conhecer a percepção dos professores sobre o uso das tecnologias nas escolas. A perspectiva dos profissionais é, em sua maioria, bastante positiva. Segundo o estudo, 67% agora têm contato com professores e especialistas de outras escolas, 77% passaram a se comunicar com os estudantes com maior facilidade e 94% garantem que agora têm acesso a materiais mais diversificados ou de melhor qualidade.

Por Clara Campoli, G1
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