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DATA DA PUBLICAÇÃO 18/06/2013 | Geral
420 mil pessoas vão às ruas em todo País
420 mil pessoas vão às ruas em todo País Foto: Tiago Silva/DGABC
Foto: Tiago Silva/DGABC
Uma nova onda de protestos, maior que as anteriores e com um leque de reivindicações mais amplo, voltou ontem a tomar conta das ruas de importantes cidades em diferentes ponto do País. Cerca de 420 mil manifestantes saíram às ruas.

Em São Paulo, o quinto dia de manifestações – e o primeiro sem violência – reuniu 65 mil pessoas, segundo estimativas do Datafolha. Uma das principais características das marchas de ontem foram expressões de insatisfação e rejeição da política institucional. Em Brasília, cerca de 7.000 pessoas realizaram protesto na Esplanada dos Ministérios. Manifestantes conseguiram furar o bloqueio policial e invadiram a área externa do Congresso. Cartazes com os dizeres ‘Fora Renan’ e ‘Fora Feliciano’ apareceram no ato, referindo-se ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-RN) e ao presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, o pastor evangélico Marco Feliciano (PSC-SP).

No Rio, as ações foram concentradas diante da sede da Assembleia Legislativa. O protesto transcorria de forma pacífica quando manifestantes jogaram morteiros contra policiais, que ficaram encurralados próximo à porta do prédio, e colocaram fogo nas escadarias que dão acesso ao imóvel. Os policiais reagiram com bombas de gás lacrimogêneo. Por volta das 22h30, grupo conseguiu invadir o local pela janela lateral. Cerca de 100 mil pessoas aderiram às passeatas em toda a cidade.

Em São Paulo, representantes de partidos foram impedidos de levantar bandeiras. “Não é comício. Fora partidos”, gritaram manifestantes durante a concentração inicial, no Largo da Batata, no bairro de Pinheiros. Em Porto Alegre, uma das principais exigências levadas às ruas foi maior transparência dos negócios públicos, para se evitar a corrupção.

Em Belo Horizonte, manifestantes entraram em confronto duas vezes com a Polícia Militar. O estudante Gustavo Magalhães Justino, 18 anos, caiu de altura de sete metros, de cima do Viaduto José Alencar, na região da Pampulha. Ele foi socorrido em estado estável, sem risco de morrer. Pelo menos outras duas pessoas ficaram feridas durante os confrontos. Cerca de 30 mil participaram da manifestação, segundo estimativa da Polícia Militar.

Porto Alegre, Curitiba, Belém, Salvador, Maceió, Fortaleza e Vitória também registraram manifestações. As marchas ainda se estenderam a cidades de médio porte do interior, como Londrina e Ponta Grossa, no Paraná.

O principal ponto de ligação entre os manifestantes continuou sendo o protesto contra a elevação da tarifa dos transportes urbanos.

A rejeição da violência policial foi uma das principais tônicas. Os gastos do governo federal para promover as copas das Confederações e do Mundo também estiveram entre os alvos.

Capital une 65 mil pessoas sem confronto com PM

Na maior passeata desde o começo do MPL (Movimento Passe Livre) em São Paulo, pelo menos 65 mil pessoas caminharam pacificamente pelas zonas Oeste e Sul da Capital paulista. O grito de guerra pela redução da tarifa de ônibus, metrô e trem – que era originalmente a pauta central – marcou presença, mas o coro foi engrossado por outras demandas como mais Educação, fim da violência policial e contra todos os partidos políticos.

A marcha seguiu o roteiro ditado pelos organizadores. Sem restrição da Polícia Militar, a passeata teve liberdade para tomar e fechar vias importantes da cidade. Começou com concentração no Largo da Batata, e se dividiu em três: uma parte cruzou os Jardins até a Avenida Paulista; outra pegou a Ponte Eusébio Matoso e Marginal do Pinheiros; e outra pela Avenida Brigadeiro Faria Lima até o Itaim-Bibi. As duas últimas divisões tinham a mesmo destino, a Ponte Octavio Frias de Oliveira. Lá, sobre o Rio Pinheiros, penduraram uma imensa bandeira preta com uma das frases tema da manifestação: “Se a tarifa não baixar, São Paulo vai parar”.

Depois de tomar a ponte, os grupos desceram pela Marginal do Pinheiros e foram em direção à Paulista, onde cerca de 2.000 pessoas já marchavam da Consolação ao Paraíso e voltavam. Um grupo até desceu para a Avenida 23 de Maio e fechou a via.

Por volta das 22h, manifestantes cercaram o Palácio dos Bandeirantes. Um grupo tentou forçar o portão de entrada e a Polícia Militar reagiu lançando bomba de gás lacrimogêneo.

PELA MANHÃ

Manifestantes se reuniram ontem com o secretário de Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, além de defensores públicos e promotores. O titular da Pasta acatou parte das reivindicações e decidiu tirar a Tropa de Choque das ruas durante o movimento de ontem. Outra recomendação foi para que os militares não utilizassem balas de borracha contra os participantes. Ficou decidido também que o trajeto da passeata seria definido apenas na hora da concentração, já que poderia sofrer modificações conforme o número de pessoas.

Integrantes do MPL reconhecem que as manifestações tomaram proporções maiores do que o próprio grupo organizador previa. As lideranças prometem que as mobilizações só serão encerradas após a diminuição do preço da passagem, que passou de R$ 3 para R$ 3,20 no início do mês. (Fábio Munhoz)

Pessoas de todas as idades vão do medo à união durante ato

A sensação no início do protesto no Largo da Batata, na Capital, ontem, era de medo. A apreensão em relação aos atos de violência de outras manifestações, porém, deu espaço ao sentimento de união conforme o ato, pacífico, avançava pela Marginal do Pinheiros.

A motorista Heloísa Torres, 56 anos, disse que há algo especial nos protestos. “É muita coisa envolvida para protestar mais que contra a tarifa de ônibus, mas contra a corrupção.”

Pedro, 71, de Santo André, afirma que protestos sempre valem a pena. “Serve para acordar quem está dormindo.”

Leandro Felipe, 25, de Mauá, afirmou que estava ali sem partido. “Cansei de ser roubado. Estou representado o povo.”

CARAVANA

Cerca de 150 pessoas partiram de Santo André rumo à manifestação na Capital na chamada Caravana do ABC, na tarde de ontem. “Depois das atrocidades de quinta-feira, decidimos levar nosso apoio não só pela redução do preço da passagem de ônibus, mas também pela liberdade e democracia”, destaca a mentora do evento via Facebook, a jornalista Marianna Fanti.

O grupo contou ainda com o auxílio jurídico de um advogado. “Vamos obedecer as leis, mas orientei os jovens a não cederem à revista arbitrária feita pela polícia, aos moldes da ditadura”, diz Taiguara Ribeiro de Carvalho Del Rio.

Entre os manifestantes, o pensamento era um só: rechaçar velhos problemas observados no País, como a corrupção e impunidade, mesmo contra a vontade dos pais, como é o caso da pedagoga Angélica Bianco, 24 anos. “Essa é a minha luta. É a oportunidade de protestar contra tudo aquilo o que sempre critiquei na sociedade”, destaca.

Para o psicólogo Alexandre Silvestre, 32, o povo está cansado de políticos que não pensam no coletivo. “Demorou para que o brasileiro se mobilizasse”, considera. (Colaboraram Caroline Garcia, Marcela Munhoz e Natália Fernandjes)

Manifestações são legítimas, diz Dilma

A presidente Dilma Rousseff (PT) considera que “manifestações pacíficas são legítimas e próprias da democracia”. A afirmação foi transmitida ontem pela chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Helena Chagas, que minimizou as vaias recebidas pela presidente no sábado, na abertura da Copa das Confederações.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também se manifestou ontem, no Facebook. “Ninguém em sã consciência pode ser contra manifestações da sociedade civil porque a democracia não é um pacto de silêncio, mas sim a sociedade em movimentação em busca de novas conquistas. Não existe problema que não tenha solução.” O ex-presidente aproveitou para sair em defesa do prefeito da Capital, dizendo que está seguro porque o petista Fernando Haddad (PT) “é um homem de negociação”.

Haddad, por sua vez, não havia se manifestado até o fechamento desta edição. Sem atos de violência, o prefeito espera abrir o canal de diálogo hoje, durante reunião extra do Conselho da Cidade. O primeiro contato ocorreu ontem, quando ele e uma das representantes do movimento se encontraram na sede da Prefeitura para combinar a apresentação do grupo na abertura do encontro.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que desqualificar os protestos “como se fossem ação de baderneiros” constitui grave erro. Segundo Fernando Henrique, “dizer que (essas manifestações) são violentas é parcial e não resolve.”

O ex-presidente recorreu a um dos mais respeitados estudiosos contemporâneos, o espanhol Manuel Castells. “Reações em cadeia, utilizando as atuais tecnologias de comunicação, constituem marca registrada das sociedades contemporâneas.”

Por Diário do Grande ABC
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